Escolha Profissional PDF Imprimir E-mail
Seg, 21 de Fevereiro de 2011 02:29

Evelyn Seemann Dias Corrêa

Psicóloga CRP-08/13890

Escolha Profissional

Uma boa definição sobre escolha profissional, pode ser extraída do autor Castanho (1998), que Diz que a escolha profissional é um processo onde o indivíduo pesquisa qual das alternativas viáveis mais lhe agrada. E neste processo são levados em conta os valores, as aspirações, as condições pelas quais se podem contar e o projeto de vida.

Para eleger uma profissão, é preciso buscar uma forma de existir no sistema de produção no qual esteja inserido e que, para tanto, necessite vislumbrar as alternativas existentes, respeitando os interesses, os valores e o projeto de vida. Além disso, deve levar em conta as condições financeiras, pois necessita contabilizar os gastos que adquirirá ao cursar o curso escolhido.

O jovem, que passa por este momento decisivo, necessita realizar uma pesquisa das alternativas viáveis, para a escolha profissional, em três níveis: pesquisa interna, buscando conhecer-se melhor (respeitando seus valores, gostos e aspirações), na tentativa de compreender o que quer para si; a pesquisa familiar, que envolve as expectativas dos familiares em relação à sua escolha; e por fim, a pesquisa exterior que engloba a avaliação das condições (psíquica e financeira) e as possibilidades que o cercam. Nesta última pesquisa, o jovem necessita pesquisar e conhecer melhor as profissões, entendendo, por exemplo, quais as atividades exercidas pelo profissional, locais de trabalho, campo de atuação, o custo para se realizar e se manter no curso escolhido por ele e, por fim, o mercado de trabalho nesta profissão.

A autora Silva (1995), coloca que as teorias de orientação vocacional podem ser classificadas em psicológicas, sociológicas e econômicas. A escolha profissional não se dá apenas a partir de uma perspectiva exclusivamente psicológica, pois há uma articulação entre indivíduo e sociedade. A escolha profissional pode ser motivada pela reparação de objetos internos, sendo esta reparatória desde que o indivíduo possa escolher. A autora traz a teoria da prática de Bourdieu que coloca que as condições de vida são interiorizadas gerando um habitus, conjunto estruturado de disposições que irá por sua vez presidir as ações diante de situações e estímulos.

As relações gratificantes ou frustradoras, com pessoas que desempenham papéis sociais, podem ser identificados pela criança conscientemente ou inconscientemente, fazendo com que aja uma relação com o mundo adulto em termos de ocupações.

Para Dias (1995), existe uma grande importância dos aspectos psicodinâmicos para uma escolha profissional. A família sempre teve este papel de socializadora. Pois apresenta o mundo e as figuras significativas pela forma com que os pais dão significado aos elementos da vida ocupacional que o filho significará este universo.

Segundo Carter e Mcgoldrick (1995), por meados dos vinte anos há a “experimentação” das várias identidades provisórias para testar ou aperfeiçoar a capacidades e interesses profissionais. Se o jovem não se compromete a um caminho profissional ou escolha ocupacional, ele fica vulnerável a ter dúvidas em relação a si mesmo, à perda de auto-estima e pode chegar à depressão. As questões de competitividade, expectativas e diferenças em relação às realizações profissionais entre a geração mais velha e os objetivos da mais nova frequentemente e inibem uma maior diferenciação do eu em relação á família. Os jovens ao passar nesta fase de escolha profissional, passam por períodos elevados de estresses. Pois precisam avaliar os conselhos dos pais e sua individualidade e independência.

A autora Bock (1995), traz que o envolvimento familiar tem seu início muito antes do estabelecimento de período da adolescência, antes mesmo de nascer, pois o bebê já tem seu lugar social na vida psíquica dos familiares antes do seu nascimento. E é desta relação entre família, bebê e mundo, que surgirão os primeiros elementos para uma futura escolha profissional. Ao incentivar determinados componentes e atitudes e reprimir outros, a família interferirá no processo de apreensão da realidade da criança e determinará, em parte, a formação de seus hábitos e interesses.

Para Bohoslavsky (1977), o grupo familiar é um grupo participativo e referência fundamental na escolha profissional, uma vez que, os valores deste, constituem bases significativas na orientação do adolescente, quer atuando como grupo positivo ou negativo de referência. Mas, independente da influência exercida por este grupo, é nele que o jovem irá iniciar a pesquisa familiar, na tentativa de se responder ao seguinte questionamento: “O que vocês realmente esperam, desejam, ou não querem de mim?” A resposta a esta pergunta, em relação às expectativas familiares em relação ao jovem, está presente nas atitudes do dia-dia, por meio de falas, aprovações e reprovações que lhe dão indícios do que esperam dele. O autor coloca que o mesmo observa-se em relação às expectativas diante a escolha profissional, que são muitas vezes ditas e muitas vezes os desejos paternos, não são explícitos e nem condizentes com suas atitudes.

Segundo Castanho (1998), os pais realizam seus sonhos de juventude na expectativa da vida do filho, por isso, alguns filhos ao escolher uma determinada profissão o fazem tentando ser o que o pai ou a mãe não conseguiram ser, se lhe foi transmitido o valor positivo daquele ideal não conquistado.

A autora Bock (1995), acredita que a escolha profissional é um momento de crise que envolve não só o sujeito, mas, o grupo familiar como um todo. A ansiedade por parte dos pais muitas vezes é proveniente do reavivamento de seus próprios dilemas vividos no mesmo momento evolutivo. Dependendo da maneira como resolveram, ou não, estas questões em suas vidas, terão um repertório mais ou menos fortalecido para oferecerem suporte às ansiedades vividas pelo filho.

Outros autores que se colocam a respeito do assunto é Levenfuns e colaboradores (1997), que defendem o pensamento de que as influências não se dão unilateralmente, pois o indivíduo filtra o ambiente com suas influências, conforme suas próprias características que também acabam por exercer no seu meio uma importante influência. As características dos jovens, como maturidade, intimidade, autonomia, liberdade de ter ideologia própria, liberdade de amar e ser amado, liberdade de ter seus trabalhos, liberdade de saídas e horários e liberdade de escolher a sua profissão são caminhos necessários para que o jovem possa adaptar-se ao mundo e exercer sobre ele sua ação modificadora e criativa.

Os filhos no período da escolha profissional precisam ter maturidade, autonomia, respeito pelos seus ideais, liberdade com responsabilidade e estabelecimento de limites, por isto os pais precisam proporcionar liberdade para a escolha, transmitindo segurança e estando presente neste importante período que o jovem passa, e é definida sua identidade profissional e pessoal.

O adolescente em processo de transformação se vê em um mundo complexo precisando definir seu futuro e, para que isso aconteça, ele precisa comprometer-se, responsabilizar-se, cumprir certas tarefas de desenvolvimento, entre elas aumentar a auto-regulação (autocontrole), conseguir independência emocional dos pais e das figuras de autoridade, confiar em suas habilidades e definir seus interesses, preparar-se para a vida adulta em um mundo também em rápida metamorfose, com alterações visíveis do dia para a noite.

Nesse sentido, a ajuda de profissionais competentes e credenciados objetiva facilitar o percurso de decisões em um mundo caótico. Cabe ao orientador profissional auxiliar os orientandos no processo de tomada de consciência de suas necessidades (entre elas escolher a profissão), possibilitando-lhe falar sobre suas dificuldades, obstáculos, apreensões, temores, dúvidas, interesses, aptidões e desejos. Buscar fazê-lo responder "quem eu quero ser?" E, assim, assumir seu projeto de vida considerando seus interesses e a realidade social, política e econômica, visando ao exercício da cidadania, à participação na sociedade. Para escolher uma carreira, portanto, é necessário desenvolver a maturidade profissional, aprender a lidar com os obstáculos para superá-los.

REFERÊNCIA
BOCK, B. M. A. et. Alli. A escolha em questão. Editora Casa do psicólogo. São Paulo, 1995.
BOHOSLAVSKY, R. Orientação Vocacional: estratégia clínica. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1977.
CARTER, B.; MCGOLDRICK, M.; & colaboradores. As mudanças no ciclo de vida familiar. Editora Artmed. Porto Alegre, 1995.
CASTANHO. G. O adolescente e a escolha da profissão. Editora Paulus. São Paulo, 1988.
DIAS, M. L. e outros colaboradores. A escolha profissional. Editora Casa do Psicólogo. São Paulo, 1995.
LEVENFUS, S. R. et alli. Psicodinâmica da escolha profissional. Editora Artmed. Porto Alegre, 1997.
SILVA, L. B. C. e outros colaboradores. A escolha profissional. Editora Casa do Psicólogo. São Paulo, 1995.

Última atualização em Qua, 23 de Março de 2011 02:21
 

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